quarta-feira, 8 de julho de 2009

Nasci

Oi D***
Como a gripe melhorou, mas ainda não me largou, resolvi sair mais cedo do trabalho. Entrei no Blog. Legal. Na verdade meu nome é Alexander e não Alexandre, mas se não dá para mudar mantemos assim. Mais um pagão debaixo do céu. Nasci. É interessante pensar que meus pensamentos foram transformados em algum código hexadecimal e estão armazenados em algum disco em algum lugar que eu nunca saberei onde é. Cool. Mudando de assunto: parece que enterraram o Michael Jackson. Eu lamento que o tenham enterrado. Não deveriam. Ele deveria ser transformado em múmia cibernética e deveria ficar em algum parque de Los Angeles. Temático e caro, claro. Quem sabe a Neverland começasse a dar algum. Em vida não rolou, mas com o mocinho se mexendo dentro de um aquário, sorrindo e dando tchau eu aposto que estourava. Quando nosso mais pop comuna morreu os soviéticos o mumificaram e deixaram na Praça Vermelha até alguns anos atrás. Uma linda múmia do camarada Lênin com seu traje típico, barbicha e tudo mais. O símbolo da revolução, do mundo novo, da vanguarda política revolucionária. Filas diárias se formaram até a Perestroika para ver o camarada que acabou enterrado pela própria. O Michael é a mesma coisa. Nosso Lênin pop, movimentando as massas em direção ao frisson máximo. De negão com nariz batatinha e cabelo “black power” a andrógino pop foi uma dura jornada. Cirurgias, tratamentos, dólares aos quilos. Nosso líder máximo da revolução andrógina embaixo da terra. Desperdício. Na verdade ele já não era dele. Era nosso. O caçula do Jackson Five já tinha morrido há muito. Quando ele clareou, se abandonou e passou a ser nosso. Via mídia, mas nosso. Tenho que confessar que nos idos da Banana Power e da Tamatete em São Paulo eu bem que tentei andar para traz e seguir em frente como o Michael. Parecia mágica. Pesinhos pra traz e o garoto se deslocando pra frente. Até hoje acho que é mágica. Nunca consegui. De qualquer modo, honra seja feita, o cara tinha talento. Talento e um pai que lhe colocava para saracotear doze horas por dia. Funcionou. Ficaram os milhões e os órfãos do Michael que, pelo que li, não eram dele. Sempre achei aquele sujeito assexuado. Se alguma sexualidade existia ali, ficará em sepulto segredo. Do que é que ele gostava? Melhor não especular e não descobrir. Deixa pra lá. Os editores estão animadíssimos. Agora começarão a sair as autorizadas e não autorizadas biografias do Michael, depoimentos da babá e a biografia dela, a história da mãe de aluguel, os segredos do pai do Michael e por aí vai. Teremos os filmes: o filme da vida dele, o filme que contará a história secreta do doador do esperma que gerou os filhos dele. Este provavelmente com o mesmo ator do Código Da Vinci mostrando o simbólico deste pau abençoado. Virão os “covers” e o culto ao estilo Michael de ser. Fábricas de gel para cabelo com as ações bombando. Elvis que se cuide. Vai ficar pra traz. Nunca tive um disco do Michael e não está no meu ipod, mas não desgostava. Como enterraram, o que, repito, lamento, resta sugerir que seja beatificado e, quem sabe, canonizado. Seria legal mudar um pouco o tom dos santos de praxe. Uma auréola Prada ou Dior, bem fininha, bem que cairia bem sobre os óculos escuros. Se for preciso comprovar alguns milagres para virar santo, de cara já aponto um: o cara de preto virou branco. Só pode ser milagre. São Michael. Agora temos quem idolatrar. Amém. Fico por aqui minha cara que a novela vai começar.
Beijos do Bloom

Um comentário:

  1. Devidamente corrigido. Nome é coisa séria e não dá para sair errado de nascença.
    Abs
    D***

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