sábado, 25 de julho de 2009

FAZ FRIO LÁ FORA

Olá (***)

Faz frio lá fora. O frio é o símbolo da solidão, do inóspito da alma, do encolher. Interessante que os sós, ou melhor, os com frio, se encolhem. Buscam esconderijo. O frio nem sempre diminui com o casaco ou a manta. Muitos, mesmo que não o sintam na pele, sentem que está lá. Está próximo, ameaça. Paira a sombra. Reparei que quem sente frio, está sempre com frio, não importa quanta roupa use ou com quantos cobertores se cubra. Com os sós se passa o mesmo. Não importa com quantas pessoas convivam, quantos tenham ao redor. São sós e quando despem as máscaras, se escondem. Alguns ficam nas tocas, outros na multidão das baladas, das “discos”, das igrejas, anônimos na multidão . Há também o trabalho. Como não há nada, há o trabalho que vira a vida, tudo na vida. Outros cobertores da alma podem ser encontrados nos becos: drogas, leves e pesadas, legais e ilegais, sexo breve, triste, fisiológico. Os com frio querem sair do ambiente, ir para outro lugar, querem calor. Os sós também querem partir. Querem ir aonde haja alguém. Não sei bem por que, não vão. Ficam e sentem seu frio, como que cumprindo uma sentença pelo crime de viver. Os que sentem frio, muitas vezes não querem o casaco. Querem que o planeta respeite seu julgamento do que é certo e justo. O frio não é justo, portanto, tem que esquentar. E não esquenta e passam frio. E os solitários fazem o mesmo. O mundo tem que se comportar do outro jeito. Do jeito que escolheram para ser o jeito certo. O mundo não se comporta e eles punem o mundo ficando sós. E ficam amargos porque o mundo não lhes dá a mínima. E não é justo. O frio deixa doente, a solidão precisa ficar doente. Moro sozinho e já morei junto. Sei o que é ser só junto e se sentir acolhido só. Ontem fazia frio lá fora, porém, em minha sala estavam meus livros, minha música, meus filmes. Ao alcance da mão o telefone e amigos para ligar, o computador e o mundo através da tela. Fazia um calor delicioso em minha sala. Oxalá, o mesmo calor aqueça o coração dos solitários, mesmo que vivam sós.

Beijos

Alexander Bloom.

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